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terça-feira, 29 de abril de 2025

Cosme e Damião 27 Setembro

  A história dos irmãos Cosme e Damião começa na cidade de Egéia, na Arábia, onde nasceram os irmãos, por volta de 260 depois de Cristo. Apesar dos boatos, não existem confirmações de que eram gêmeos. A família dos dois tinha fortes tradições católicas, que foram passadas a eles durante a infância e juventude.

Cosme e Damião, ainda jovens, decidiram estudar medicina e foram para a Síria, que, na época, era uma província do Império Romano, para iniciar a aprendizagem. Após diplomados, passaram a exercer atendimento à população carente das redondezas de onde viviam.

Os irmãos usavam a fé, unida aos conhecimentos científicos, como poder de cura. Como forma de caridade e amor, eles realizavam tratamentos para as pessoas que não podiam pagar. Para as crianças doentes, davam balas para a amenizar o sofrimento.

Os irmãos não cobravam absolutamente nada pelos tratamentos, mas tudo faziam com caridade e dedicação. A fama de Cosme e Damião despertou a ira do imperador Diocleciano, implacável perseguidor do povo cristão. O governador deu ordens imediatas para que os dois médicos cristãos fossem presos, acusados de feitiçaria e de usarem meios diabólicos em suas curas.

 

Os irmãos foram torturados e mortos por se negarem a aceitar os padrões religiosos do imperador romano. Hoje santificados, Cosme e Damião são lembrados, através dos doces que costumavam distribuir como exemplos de solidariedade e cuidado.

Para o catolicismo, não havia nenhuma ligação entre os irmãos e as crianças ou a distribuição de doces. Essa prática veio da associação que os escravos fizeram de Cosme e Damião a orixás da umbanda e do candomblé: os Ibejis, filhos gêmeos de Xangô e Iansã. Como havia muita repressão na época da escravidão no Brasil aos cultos africanos, os negros precisavam adorar suas divindades sempre associando a algum santo católico. E foi isso que aconteceu com São Cosme e são Damião. A tradição de dar doces tem a ver com esses dois orixás crianças que foram associados a Cosme e Damião.

E o Doum ????

Nas representações na umbanda e no candomblé, junto aos dois santos aparece uma criancinha vestida como eles. Essa criança é Doum que personifica as crianças de até 7 anos. Para os adeptos de religiões de matrizes africanas, diz a crença que para cada dois gêmeos que nascem, um terceiro não encarna nesse mundo. Doum também é respeitado e adorado como da família dos Ibejis mas é considerado “aquele que não veio”. O mito de Doum servia de consolo quando a criança morria bebê ou no ventre da mãe. A partida era entendida como um retorno desses seres divinos ao mundo do qual não conseguiram se despedir.

Os Doces

A tradição popular da festa de distribuir doces para as crianças no Dia de Cosme e Damião vem da Umbanda, do Candomblé e das demais religiões de matriz africana. Como os Ibejis representam toda a felicidade e inocência das crianças, os doces são usados como oferendas para esses orixás. Cerimônias tradicionais dessas religiões também oferecem comidas tradicionais como caruru e vatapá, mas as guloseimas ficaram mais populares nessa ocasião e aos poucos deixou de ser exclusivo dos terreiros.

Muitos católicos fazem promessas para São Cosme e Damião em busca da cura para doenças de seus filhos. Em troca do pedido cumprido, eles oferecem os doces para outras crianças no Dia de São Cosme e Damião. E não é difícil encontrar quem começou o ato por uma promessa, mas continuou pelos anos seguintes. Com o tempo, presentear crianças com os sacos de doce virou um hábito dos brasileiros de todos os tipos.

Nem todo saquinho de doces de São Cosme e Damião é igual. Dependendo do lugar e da pessoa que montou o pacote, a criança pode encontrar uma surpresa diferente ou a mais no presente. Mas existem alguns doces que persistem ao longo das gerações e todas as crianças encontram em pelo menos uma das sacolinhas.

 

 

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