Alma
Segundo ocultistas e estudiosos das religiões como Eliphas Levi, Papus,Agripa, Huston Smith, Robert Bellah, Joseph Brown, Sam Gill, Charles Long e
muitos outros, a palavra ALMA tem sua origem no latim anima. Esse conceito teria
sido criado por religiosos cristãos que consideram que a alma seria formada no
momento do nascimento do corpo e, estando presa a matéria, estaria limitada. Assim,
caberia à alma o nome de Ego, nossos gostos, o que chamamos de nós mesmos e dos
que nos cercam, nossos conceitos sociais, políticos, etc. Mas essa alma não “nasceria” com o corpo físico, mas ganharia a “vida eterna” após a morte do corpo.
que também teria sorte igual à do corpo físico que morre e se decompõe. Daí a teoria
dos reencarnacionistas por uma falta de lembrança espontânea (na maioria dos casos) de nossas vidas passadas.
Espírito
Segundo as mesmas fontes mencionadas acima, espírito faz ressaltar o aspecto
espiritual do homem contido no(s) próprio(s) Deus(es). Seria a fagulha divina que nos
anima. A parte mais etérea do ser. A palavra Espírito tem sua origem etimológica do
latim spiritu, que, pasmem, tem exatamente o mesmo sentido do hebraico “ruach” e do
grego “pneuma”. Esta palavra pode ser usada para falar do aspecto espiritual do
homem. O espírito seria a parte que nos liga a uma energia divina, que possui a essência
de(os) Deus(es), e que nos faz ver o quanto de(os) Deus(es) temos dentro de nós e de
Deus(es) é(são) imortal(is) nós também somos, devido ao nosso espírito que nos liga a
Ele(s). Relembra-nos a expressão “vida eterna” tem sentido, pois o espírito nunca
morre, e sim transcende a morte física, permanecendo vivo, pois se junta à sua essência,
transcendendo ao que chamamos de morte. Assim, tornamo-nos seres imortais.
Enquanto as palavras “alma” e “espírito” são erroneamente por vezes
intercambiáveis, o correto seria que sempre se fizesse a distinção. “Alma”
sendo associada mais comumente à vida física, enquanto “espírito”
relacionado mais com o aspecto etéreo e eterno do homem. A vida física é
tirada do homem quando o espírito é separado de seu corpo e sua alma se
deteriora. Mas esse mesmo espírito será sempre eterno. Daí a busca por
espiritualização e não por uma “almalização” sem sentido, visto que o
trabalho seria perdido, junto com a morte do corpo físico.
Depois de esclarecermos o que seria alma e espírito, somos capazes de
compreender o motivo da grande busca da religião Wicca.
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Espiritualização
Mas como alcançá-la? Gardner certa vez disse:
“Ninguém chega ao Deus, se não pela Deusa”.
Infelizmente, muito poucos conseguem interpretar toda uma obra por apenas
uma frase. Talvez dessa frase tenham saído as grandes deturpações sexistas da Wicca
atual. As tradições fundamentadas em feminismo, que buscam um resgate do feminino
social e não do real DIVINO FEMININO. Na verdade, Gardner tentava nos alertar que:
em vista dos milênios de deturpação dos conceitos divinos também por religiões
sexistas, só que paternalistas, tanto a figura do Divino Feminino como a do Masculino
(deidades, e não humanos) foram incrivelmente deturpadas. Se o Divino Masculino é
posto numa maioria das religiões num patamar de superioridade, assim como num
processo natural de desequilíbrio, o Divino Feminino será relegado à uma posição
extremamente inferior, ou mesmo inexistente. Assim, só poderemos conhecer a
realidade das divindades uma vez que busquemos pelo equilíbrio dos Divinos. E o que
será mais correto?
— Resgatar o Divino Feminino, fortalecê-lo, devolver-lhe seu lugar de
equilíbrio no processo, e só assim chegar ao real Divino Masculino?
— Ou tentar romper com esses milênios de patriarcado, entrando em franca e
severa luta contra conceitos que se encontram fortalecidos pelo culto de
milhares, para posteriormente tentar devolver o lugar de direito do Divino
Feminino?
Eu prefiro continuar confiando nas teorias de Gardner e seu conhecimento. Em
outra passagem do seu BOS, “Old Lews”, podemos ler claramente, em língua
originalmente escrita:
(Nota do Editor: este trecho do livro possui um parágrafo equivalente de nove
linhas escrito em inglês. Julgamos não ser preciso a digitalização desse parágrafo ao
estudante).
— Tradução para o nosso idioma:
“(...)E a Alta Sacerdotisa dirigirá o seu Coven como uma representação da
Deusa, e o Alto Sacerdote que representará o Deus será escolhido pela Alta Sacerdotisa
por sua livre vontade, desde que tenha alcançado uma hierárquica (N.doT.:
conhecimento iniciático) para isso. Pois o próprio Deus beijou Seus pés em fervorosa
saudação e depositou seu poder aos pés da Deusa, graças a sua juventude e beleza,
doçura e gentileza, sabedoria e Justiça, humildade e generosidade. Assim, ele renunciou
a seus domínios em seu favor. Mas a Sacerdotisa deve ter em mente que todo poder
deriva dele e é apenas legado quando usado sábia e justamente (...)”.
Fica-nos clara a mensagem de Gardner. A necessidade inicial desse resgate do
Divino Feminino para compreensão do Divino Masculino, tão ou mais deturpado ao
longo dos séculos. Só por meio do resgate conseguimos finalmente chegar ao
entendimento do que é Espiritualização para os seguidores de Wicca.
Tentativas de deturpações do que seria a Wicca (uma doutrina equilibrada) com
a criação de verdadeiras IGREJAS UNIVERSAIS DO REINO DA DEUSA, ou mesmo
cultos estritamente feministas, seriam, em minha opinião, a inversão pura e simples do
desequilíbrio encontrado nas religiões patriarcais ou machistas.
Para uma maior compreensão desses que velam por nossos caminhos, segundo a
filosofia de Gardner, seguimos com as duas deidades principais do culto: a Deusa
e o Deus tríplice.
Tirado do livro W icca, A Bruxariasaindo dasSombras – MillenniuM
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