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terça-feira, 29 de abril de 2025

 

A vida no paganismo é assim gente...

 

A pequena cidade universitária de Lemgo, no noroeste da Alemanha, tem uma história bastante conturbada.

E o nome de seu prédio mais conhecido, "The Witch Mayor's House", pode dar uma pista.

O nome é uma referência a um caçador de bruxas que viveu na região no século 17 e supervisionou as últimas três ondas sucessivas de julgamentos de bruxas.

Em um período de cerca de 50 anos que começou em 1628, mais de 200 mulheres (além de cinco homens) foram queimadas na fogueira somente em Lemgo.

O nome de Margarete Krevetsiek surge em meio a essa centenas de mortes.

Krevetsiek foi presa e acusada de bruxaria e de tentar ensinar seus truques a uma jovem no verão de 1653.

Ela confessou a bruxaria sob tortura e foi queimada em um domingo, 10 de agosto do mesmo ano. Como "concessão", as autoridades permitiram que ela fosse decapitada primeiro.

E isso era tudo que existiu na história sobre Krevetsiek por um longo tempo.

Mas essa história mudou recentemente, tudo graças a uma de suas descendentes.

Busca familiar

Policial aposentado e genealogista amador, Bernd Krämmer descobriu que sua esposa, Ulla, era parente de Margarete Krevetsiek enquanto pesquisava sua árvore genealógica.

"Quando descobrimos que tínhamos uma suposta 'bruxa' entre nossos ancestrais, fiquei imediatamente eletrizado. Coisas como essa são um destaque na pesquisa de minha família", disse Krämmer à BBC.

"Minha esposa pensou imediatamente: 'pobre mulher!' Mas não estávamos com medo porque, desde a escola, sabíamos que muitas injustiças aconteceram na Europa durante aqueles anos."

Krevetsiek foi acusada por seu enteado de seis anos depois que ela o puniu com uma surra.

Os Krämmer, que vivem em Bremerhaven, a três horas de carro ao norte de Lemgo, acreditavam que a parente distante merecia justiça, independentemente de quanto tempo tivesse passado.

Assim, vários séculos depois, em 2012, eles fizeram um requerimento formal ao conselho municipal pedindo que Krevetsiek fosse inocentada.

Cinco anos depois, seu nome e os nomes de todas as vítimas dos julgamentos de bruxaria na cidade foram reabilitados.

A Witch Mayor's House (Hexenbürgermeisterhaus) em Lemgo é agora um museu sobre o passado sombrio da cidade

"Achamos que era importante limpar o nome dela porque a injustiça, especialmente se for cometida pelo Estado ou pela Igreja, deve ser corrigida, mesmo depois de muito tempo", disse Krämmer .

"Cada caso que é trazido à tona evita que [essas injustiças] caiam no esquecimento."

A grande caça às bruxas

Os julgamentos de Salem, no Estado americano de Massachusetts, no século 17, são bem conhecidos em todo o mundo, mas a Europa foi na verdade palco de uma caça às bruxas incomparavelmente maior.

Em Salem, 200 pessoas foram acusadas de bruxaria e 20 pessoas perderam a vida.

Na atual Alemanha, estima-se que o número de execuções ocorridas seja de cerca de 25 mil.

No território onde hoje é a Suíça, por exemplo, aldeias inteiras foram dizimadas.

Estima-se que entre 40 mil e 60 mil pessoas foram condenadas à morte na Europa entre o final do século 16 e o ​​final do século 17.

Hartmut Hegeler é um pastor protestante da cidade de Unna, a uma hora de carro de Colônia. Desde 2010, ele ajudou a "inocentar" algumas centenas de vítimas da caça às bruxas na Alemanha.

"Para mim, é uma questão de credibilidade da minha crença. O próprio Jesus Cristo foi acusado, torturado e morto, e nós, cristãos, dizemos que ele era inocente", disse o padre Hegeler à BBC.

"Essas vítimas da caça às bruxas tiveram que passar pelas mesmas coisas, sendo acusadas, torturadas e assassinadas mesmo sendo inocentes."

Mas ele diz que a luta não é apenas pelo passado - é também contra a "violência e marginalização" que ainda ocorre no mundo hoje.

Uma 'bruxa' aos nove anos

O padre Hegeler conta um caso que o impressionou: Christine Teipel, uma menina de nove anos, foi acusada de bruxaria e executada em maio de 1630, na vila de Oberkirchen, no norte.

Christine começou a dizer às pessoas que ela era uma bruxa e tinha participado de um sabá - uma dança noturna com o diabo - junto com outras 15 pessoas: oito homens, seis mulheres e outra jovem, Grete Halman.

Historiadores especulam que a história de Christine sugere uma ligação com abuso infantil ou outro tipo de trauma.

As autoridades prenderam ela e outras 15 pessoas delatadas pela menina. Eles foram torturados. Os presos então acusaram outras pessoas. Houve sete julgamentos durante um período de três meses.

Ao final, 58 pessoas foram queimadas na fogueira - incluindo Christine, sua madrasta, Grete e seus pais.

"Não há nada sobre a possível tortura dessa menina, mas você pode imaginar que uma garota de nove anos ficaria muito assustada só de ver instrumentos de tortura", disse o padre Hegeler.

Era prática comum mostrar os instrumentos de tortura aos suspeitos durante um interrogatório "amigável" inicial.

Formas brutais de punição corporal, que incluíam tortura física e manter alguém acordado por dias, seriam usadas nos interrogatórios subsequentes.

Uma técnica comumente utilizada era chamada de mergulho, quando uma pessoa acusada de bruxaria era amarrada a uma cadeira e mergulhada na água.

Se flutuassem, seriam considerados bruxos que usaram sua magia para se manter vivos. Em seguida, eles eram queimados na fogueira.

Se afundassem, seriam considerados inocentes que "morreram involuntariamente".

Luxúria 'insaciável'

Pintura de uma festa de bruxas, de 1508 (coleção particular)

Crédito,Getty Images

Legenda da foto,Os historiadores apontaram a obsessão dos caçadores de bruxas em punir os supostos 'atos sexuais' das mulheres com Satanás

Embora homens também tenham sido julgados e executados por bruxaria, a grande maioria das vítimas - 85% ou mais - eram mulheres.

Elas eram frequentemente acusadas ​​de "atos sexuais com o diabo".

Malleus Maleficarum, um manual de caça às bruxas do século 15, deu muita ênfase ao apetite sexual "insaciável" das mulheres, descrevendo-as como criaturas sem "moderação na bondade ou no vício".

Claire Mitchell, advogada que está liderando uma campanha recentemente lançada na Escócia, diz que a misoginia daquela época continua muito reconhecível até hoje.

"O que é muito moderno é que a feitiçaria ainda é usada como método de controle social e perseguição a mulheres e crianças até hoje", disse ela à BBC.

Sua campanha está exigindo perdão, um pedido de desculpas e um memorial dedicado às condenadas sob a Lei de Bruxaria da Escócia, que entrou em vigor em 1563 e permaneceu vigente até 1736.

Rosto reconstruído de Lilias Adie

Crédito,Dundee University

Legenda da foto,Lilias Adie morreu na prisão em 1704 sob suspeita de bruxaria. Seu rosto foi reconstruído recentemente

O grupo fez campanha recentemente por três placas que foram descobertas em uma trilha costeira de patrimônio ao redor da vila histórica de Culross.

O monumento homenageia 380 mulheres de comunidades locais que foram presas, torturadas, enforcadas e queimadas.

No ano passado, foram revelados os planos para um memorial nacional no cemitério de Lilias Adie, uma mulher que morreu sob custódia em 1704, enquanto era forçada a confessar que havia feito sexo com o diabo.

O rosto de Adie foi recriado com a ajuda de computadores por uma equipe de pesquisadores liderada pelo cientista forense Christopher Rynn, da Universidade de Dundee.

"Quando a reconstrução chega até a camada da pele, é um pouco como encontrar alguém e a pessoa começa a te lembrar de pessoas que você conhece", disse Rynn.

"Não havia nada na história de Lilias que me sugerisse que hoje ela seria considerada outra coisa senão uma vítima de circunstâncias horríveis."

'Pânico satânico'

Rei Jaime VI da Escócia, que passou a ser Jaime I da Inglaterra
Legenda da foto,O rei Jaime VI se considerava um especialista em bruxaria e escreveu um livro sobre o assunto em 1597

O "pânico satânico" da Escócia começou depois que o rei Jaime VI, que se considerava um especialista e até escreveu um livro sobre ocultismo, enfrentou uma travessia do oceano particularmente tempestuosa ao voltar da Dinamarca para casa.

Ele culpou a bruxaria pelo mau tempo e ordenou uma extensa caça às bruxas.

Quase 4.000 pessoas foram acusadas e 2.600 executadas.

Mitchell relembra um caso particular que a chocou: uma mulher nas ilhas Orkney, na costa nordeste da Escócia, que havia se desentendido com um pescador em sua aldeia.

Um dia ele estava no mar quando uma tempestade aconteceu.

"Ele disse que quando saiu para o mar, viu uma foca. E ele acreditou que a foca olhava para ele, e pensou que a foca era essa mulher, como uma bruxa", diz Mitchell.

"Eles então acreditaram que ela tinha a capacidade de se transformar em diferentes animais. E isso foi o suficiente: ela foi executada."

Reescrevendo a história

Ativistas em Culross, Escócia, segurando uma bandeira que diz: "Lembrando as bruxas acusadas da Escócia"

Crédito,Kathryn Rattray

Legenda da foto,Claire Mitchell (à direita) diz que 'as pessoas se preocupam em ser devidamente representadas' na história

Mas reescrever a história não é fácil, mesmo diante de uma injustiça evidente.

Na Alemanha, o padre Hegeler diz que algumas autoridades locais se recusaram a conceder o perdão por medo de que a história das bruxas manche a reputação do lugar e prejudique o turismo.

Os líderes religiosos alemães expressaram simpatia por sua causa, mas dizem que a Igreja deve se concentrar nos problemas atuais, como a crise dos refugiados e a pobreza.

Ativistas na Irlanda continuam a defender uma placa para homenagear as vítimas dos julgamentos de bruxas no país.

Mas Mitchell disse que os movimentos recentes em favor da derrubada das estátuas de pessoas ligadas à escravidão são "um sinal poderoso de que as pessoas se importam com a história".

"Eles se preocupam em serem adequadamente representados nos dias modernos e não querem que uma história de uma época diferente seja esquecida."

Visitantes caminham pelo Salem Witch Memorial em Salem, Massachusetts em 26 de setembro de 2019

Crédito,Getty Images

Legenda da foto,Memoriais e placas foram criados para homenagear vítimas de julgamentos de bruxaria na Europa e nos Estados Unidos

Para os Krämmer, aprender sobre o destino de sua ancestral reacendeu algumas buscas que começaram quando Bernd completou 15 anos.

"Minha avó era judia e teve muita sorte de sobreviver a seu tempo. Meus bisavós não tiveram tanta sorte", diz ele.

Ele passou cinco anos procurando o lugar onde estavam os restos mortais de seu avô.

Em 2001, quase seis décadas após a morte de seu avô, ele encontrou uma vala comum perto de Berlim. A experiência o marcou profundamente.

"Passei duas horas lá, olhando para seu túmulo. Mesmo enquanto estava procurando por ele, estava pensando nas coisas [horríveis] que as pessoas podem fazer às outras."




Por Pablo Uchoa

  • Role,BBC World Service


 


Livros Parte 6

 


 

 O Livro de Nod

Vampiro a Mascara 

GRIMÓRIO DE HEKATE 

Dogma e ritual de alta magia 

Biblia dos Cristais 

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Sobre os Elementos

 Tudo o que foi criado, o macrocosmo e o microcosmo, portanto o grande e o pequeno mundos, formaram-se através dos elementos. Por causa disso pretendo, já no começo da iniciação, ocupar-me justamente dessas forças a mostrar especialmente sua profundidade a seu múltiplo significado. Até hoje se falou muito pouco, na literatura oculta, sobre as forças dos elementos, por isso resolvi assumir a tarefa de tratar desse assunto ainda inexplicado e erguer os véus que encobrem as suas leis. Não é nada fácil esclarecer os não-iniciados de modo a levar ao seu conhecimento não só a existência e a ação desses elementos, mas também dar a esses leitores a possibilidade de trabalhar posteriormente com essas forças na prática. O Universo todo iguala-se ao mecanismo de um relógio, com engrenagens mutuamente dependentes. Até mesmo o conceito da divindade como a entidade de alcance mais elevado, pode ser classificado de modo análogo aos elementos, em certos aspectos. Há mais detalhes sobre isso no capítulo que trata do conceito de Deus. Nos escritos orientais mais antigos os elementos são definidos pelos Tattwas. Na nossa literatura européia só lhes damos atenção na medida em que enfatizamos seus bons efeitos ou apontamos suas influências desfavoráveis, o que quer dizer portanto que sob a influência dos Tattwas determinadas ações podem ser levadas adiante ou devem ser deixadas de lado. Não há dúvidas sobre a autenticidade desse fato, mas tudo o que nos foi revelado até hoje aponta só para um aspecto muito restrito dos efeitos dos elementos. A prova dos efeitos dos elementos em relação aos Tattwas, para o use pessoal, consta de modo suficientemente explícito nas obras astrológicas.

 Porém eu penetro mais profundamente no segredo dos elementos, a por isso escolho uma outra chave, aliás análoga à astrológica, mas que não tem nada a ver com ela. Pretendo ensinar as diversas maneiras de utilizar essa chave até agora desconhecida para o leitor. Trato cada uma das funções, analogias a efeitos dos elementos, em seqüência e com mais detalhes, nos capítulos subseqüentes. Além de desvendar o seu lado teórico, também mostro a sua utilização prática, pois é justamente nela que reside o maior arcano. 

 Sobre esse grande conhecimento secreto dos elementos já se escreveu no mais antigo livro da sabedoria esotérica, o Tarot, cuja primeira carta, o mago, representa o conhecimento e o domínio dos elementos. Nessa primeira carta os símbolos são: a espada, que simboliza o elemento fogo; o bastão, que simboliza o elemento ar; o cálice, o elemento água; a as moedas o elemento terra.

 

Aqui podemos perceber que já nos antigos mistérios apontava-se o mago como primeira carta do Tarot, a assim se escolhia o domínio dos elementos como primeiro ato da iniciação. Em homenagem a essa tradição quero também dedicar a maior atenção sobretudo a esses elementos, pois como veremos adiante, a chave para os elementos é um meio universal com o qual se pode solucionar todos os problemas que surgem. De acordo com os indianos, a seqüência dos Tattwas é a seguinte:  

•Akasha - o princípio etérico; 


 

 

 

 

•Tejas - o princípio do fogo;


 

 

 

 

Waju - o princípio do ar;  





•Apas - o princípio da água;


 

 

 

•Prithivi - o princípio da terra; 


 

 

 

 

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O Deus Tríplice

 Conectar-se diretamente com o Deus é de suma importância no resgate de qualidades humanas esquecidas no tempo. A exemplo da importância do número 3, o Deus também apresenta seu tríplice aspecto, cada qual com sua importância em relação à formação do homem social. Passemos a Eles:

O Cornífero

Frequentemente chamado de o Doador da Vida, Mestre da Morte e Ressurreição, Deus das Sementes, Deus da Fertilidade. Pode ser reconhecido como Cernunnos, Pã, Adônis e Osíris. Ele também é o Inefável. Retratado incontáveis vezes em paredes de cavernas que datam do Paleolítico, bem como em expressões artísticas e religiosas das mais diversas civilizações, o Cornífero sempre foi o símbolo maior do Divino Masculino. Os Chifres sempre foram o sinal pagão de algo Divino. Na Babilônia, por exemplo, o grau de importância dos Deuses era entendido ao número de chifres a Ele atribuídos. Alexandre, o Grande, declarou-se Deus ao tomar o trono do Egito tendo encomendado uma pintura sua ornada de chifres. O Alcorão faz menção ao a Alexandre como “Inskander Dh’l Karnain”, que significa “Alexandre dos Dois Chifres”. Uma alusão ao seu nome é preservada até hoje em tradição Alexandrina, na qual, Deus é chamado de Karnayana. A interação com a Fauna mostra-se uma vez que o Deus Cornífero não é só o aspecto do Caçador, mas também é visto como sendo a própria caça. Nesse aspecto ele deve ser reconhecido como o animal do sacrifício, sacrificado para que possamos sobreviver durante os períodos de Samhain. Nessa faceta, o Deus também apresenta um lado mais obscuro. Um outro nome dado ao Deus Cornífero é “O Caçador”. O Grande Deus não só é um símbolo doador da vida, mas na sua retirada também, onde podemos perceber o eterno ciclo de nascimento, morte e renascimento. Ele às vezes é representado carregando um arco de caça. Durante a expansão do cristianismo, cristãos adotaram a imagem do Deus Cornífero para a representação do seu diabo, cuja descrição física incluía os pés de animal e os chifres. Com essa atitude, a Igreja Cristã tentava demonstrar ao pagão que sua fé no paganismo era ruim, má. Porem, o diabo é a representação do Mal Absoluto, enquanto o Deus Cornífero não é visto dessa forma. O Cornífero é uma força da natureza, não completamente beneficente ou maleficente. No seu papel de Pai, Ele dá a vida. Já em sua morfologia de Caçador, Ele a toma, em forma de sacrifício necessário para a continuidade da raça. Os primeiros clãs humanos sobreviveram graças, em grande parte aos caçadores e guerreiros. Caçava-se o gamo, que fornecia o alimento, agasalho e instrumentos confeccionados com chifres e cascos. O alce de tornou um símbolo de previsões, e na sua natureza de líder e protetor da amada, os caçadores primitivos identificaram algo próprio do clã. A rivalidade entre os machos pelas fêmeas, era, em muitos aspectos, simbólica das paixões com que os próprios homens lutavam. Resgatar a face cornífera do Deus é um resgate dos Mistérios Masculinos. Já escrevia o grande mitólogo Joseph Campbell em seu trabalho “Primitive Mythology”:

“Para os primitivos povos caçadores, os animais selvagens eram manifestações do desconhecido. A fonte de perigo e sobrevivência foi associada psicologicamente à tarefa de compartilhar o mundo silvestre com esses seres. Ocorreu uma identificação inconsciente, que se manifestou nos místicos totens meio humanos, meio animais das antigas tribos. Os animais tornaram-se tutores da humanidade. Por meio de imitações, as naturezas separadas de humanos e animais foram derrubadas e criou-se a União. O mesmo é verdade acerca das posteriores comunidades agrícolas, que viram os ciclos de vida e morte dos humanos refletidos nos ciclos das colheitas”.

 ...

As Luas

 


 

Luas da Deusa

Respeitando a sabedoria de nossos ancestrais, lembramos que sua observação aos ciclos lunares remonta à crença de que esses ciclos exercem considerável força sobre o ser humano e toda a natureza. Os sacerdotes, médicos, xamãs e pajés que foram nossos ancestrais agiram e curavam conscientes de que não somos máquinas, afinal, somos muito mais do que um conjunto de ossos, nervos, músculo e carne, unidos pelo acaso. Corpo e mente se acham ligados entre si e com o todo (outras pessoas, natureza, até mesmo as estrelas). Hipócrates, considerado o pai da medicina, nascido na ilha de Cós, 460 anos a.C. dizia que:

“Quem pratica a medicina sem levar em conta o movimento das estrelas é um palhaço”.  

Cada curador e agricultor sabe os perigos de ignorar as influências rítmicas da natureza. Suas conseqüências serão gravíssimas. Assim, descobrimos que numerosos fenômenos naturais (maré alta e baixa, nascimento, mudanças climáticas, o ciclo feminino e muito mais) têm fundamental ligação com as fases lunares. Encontraremos em Wicca cinco fases lunares de trabalho mágicko: crescente, cheia, minguante, nova e a chamada Lua Negra.

Lua Crescente

Novamente a Lua começa a germinar e luta para se manifestar em toda plenitude. Tudo sob influência compete entre si. Os projetos iniciados na Lua Nova começam a ser energizados pela luz solar e se solidificam. Não é um bom momento para principiar nada, ao contrário do que muitos acham, graças à nomenclatura de crescente. Existe extrema competição pela energia luminosa que renasce. É o momento propício para estruturar e tornar prático o que antes era apenas um sonho. Não é hora de desistir, hesitar, duvidar. É preciso determinação e objetividade para realizar seus planos, pois a força da resistência é tão grande e a competição, maior ainda. A energia vital luta para tomar forma na matéria.

Tudo brota e cresce, disputando o espaço

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Alma,Espírito e Espiritualização

 Alma

Segundo ocultistas e estudiosos das religiões como Eliphas Levi, Papus,
Agripa, Huston Smith, Robert Bellah, Joseph Brown, Sam Gill, Charles Long e
muitos outros, a palavra ALMA tem sua origem no latim anima. Esse conceito teria
sido criado por religiosos cristãos que consideram que a alma seria formada no
momento do nascimento do corpo e, estando presa a matéria, estaria limitada. Assim,
caberia à alma o nome de Ego, nossos gostos, o que chamamos de nós mesmos e dos
que nos cercam, nossos conceitos sociais, políticos, etc. Mas essa alma não “nasceria” com o corpo físico, mas ganharia a “vida eterna” após a morte do corpo.

Já numa visão dos espiritualistas, nossas almas seriam vistas como nosso ego,
que também teria sorte igual à do corpo físico que morre e se decompõe. Daí a teoria
dos reencarnacionistas por uma falta de lembrança espontânea (na maioria dos casos) de nossas vidas passadas.
 

Espírito
Segundo as mesmas fontes mencionadas acima, espírito faz ressaltar o aspecto
espiritual do homem contido no(s) próprio(s) Deus(es). Seria a fagulha divina que nos
anima. A parte mais etérea do ser. A palavra Espírito tem sua origem etimológica do
latim spiritu, que, pasmem, tem exatamente o mesmo sentido do hebraico “ruach” e do
grego “pneuma”. Esta palavra pode ser usada para falar do aspecto espiritual do
homem. O espírito seria a parte que nos liga a uma energia divina, que possui a essência
de(os) Deus(es), e que nos faz ver o quanto de(os) Deus(es) temos dentro de nós e de
Deus(es) é(são) imortal(is) nós também somos, devido ao nosso espírito que nos liga a
Ele(s). Relembra-nos a expressão “vida eterna” tem sentido, pois o espírito nunca
morre, e sim transcende a morte física, permanecendo vivo, pois se junta à sua essência,
transcendendo ao que chamamos de morte. Assim, tornamo-nos seres imortais.
Enquanto as palavras “alma” e “espírito” são erroneamente por vezes
intercambiáveis, o correto seria que sempre se fizesse a distinção. “Alma”
sendo associada mais comumente à vida física, enquanto “espírito”
relacionado mais com o aspecto etéreo e eterno do homem. A vida física é
tirada do homem quando o espírito é separado de seu corpo e sua alma se
deteriora. Mas esse mesmo espírito será sempre eterno. Daí a busca por
espiritualização e não por uma “almalização” sem sentido, visto que o
trabalho seria perdido, junto com a morte do corpo físico.
Depois de esclarecermos o que seria alma e espírito, somos capazes de
compreender o motivo da grande busca da religião Wicca.
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Livros Parte 5

 

 O SECULAR LIVRO DA BRUXA

 Livro de Orações Tefilat Rivka

 GUIA COMPLETO DA AROMATERAPIA

 Anjos Cabalísticos

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A Deusa e o Deus

 

                "No momento infinito a Deusa se elevou do caos e criou tudo aquilo que é, foi e será" 

                                                              Trecho do mito Wiccaniano da Criação 

A RELIGIÃO NA PRÉ-HISTÓRIA 

A mente humana, há 30.000 anos, tinha começado seu processo de buscar explicações sobre os mistérios da vida, assim como fazemos hoje. A arte associada com a revolução humana daquela época é indispensável para apoiar a teoria de que o Homo Sapiens possuía certas crenças espirituais. 

A arte e religião sempre tiveram um relacionamento inextricável entre si. O fio comum que une todas fés modernas é melhor explicado através da definição do termo religião. O antropólogo J. G. Frazer define religião como "uma propiciação ou conciliação de poderes superiores ao homem que acredita-se dirigir e controlar o curso da natureza e da vida humana". Num nível básico, é o Xamã que cumpre este papel. É o Xamã que é capaz de interceder e interpretar tais relacionamentos. O Xamã compartilha um relacionamento íntimo com o reino espiritual como Joseph Campbell explica: “O xamã é um tipo particular de homem curador, cujos poderes podem causar a cura ou a doença, podem comunicar-se com o mundo além, prever o futuro, e podem tanto influenciar o tempo como o movimentos de animais cuja gravidez acredita-se ser derivada de suas relações sexuais com espíritos vislumbrados. “ 

 Apesar do fato de o Xamanismo não gozar nem a popularidade nem o número elevado de seguidores das religiões mais importantes do mundo, o Xamã continuou a praticar uma arte que permaneceu relativamente inalterada desde tempos imemoráveis. As raízes do Xamanismo pré datam todas as religiões atuais do mundo. Embora o Xamanismo seja encontrado principalmente em sociedades caçadoras e simples ao redor do mundo, sua influência pode muito bem ser encontrada em praticamente todas as culturas e religiões hierarquicamente mais complexas. Para evidenciar tal hipótese é necessário seguir o progresso do Homo Sapiens arcaicos, conforme eles se desenvolveram no Homo Sapiens modernos. O artista e Xamã eram provavelmente uma só pessoa no período Paleolítico. Por seus poderes mágicos de recriar animais nas paredes das cavernas de templo, eles -- os artistas-xamãs – conectaram-se com a fonte da vida que animava tanto 40 os humanos quanto os animais, tornando-se se veículos dessa fonte, criadores da forma viva, assim como a fonte dela. A arte foi a forma de comunicação dos primeiros Homo Sapiens. As pinturas dos Homo Sapiens modernos encontradas nas paredes das cavernas como Trois Freres e Lascaux na França, representam algo mais que meras representações de animais como vistos em suas vidas diárias pelos artistas. 

Como Jung explica: “uma palavra ou uma imagem é simbólica quando encerra algo mais que seu significado imediato óbvio....Como há inumeráveis coisas além do alcance de entendimento do ser humano, nós constantemente usamos termos simbólicos para representar conceitos que não podemos definir ou plenamente compreender. Esta é a razão pela qual todas religiões empregam uma linguagem simbólica ou imagens.” 

O trabalho de arte achado dentro destas cavernas do Paleolítico Superior foram pintadas por indivíduos com um propósito maior em mente do que apenas retratar a vida animal cotidiana deles.

 Aliás, a maioria dos trabalhos de arte achados no fundo destas cavernas não eram facilmente acessíveis. O trabalho de arte foi realizado para dizer algo além do mundo, do simples. O Dr. Herbert Kuhn descreve sua visita a Trois Freres e a dificuldade de alcançar o interior das câmaras da caverna: “O chão é úmido e lamacento, temos que ser muito cuidadosos para não escorregar por entre as rochas. Sobe-se e desce-se, então vem uma passagem muito estreita pela qual você tem que rastejar.... a galeria é grande e longa e então aí vem um túnel muito baixo.... o túnel não é muito mais amplo que os meus ombros, nem alto. Posso ouvir o outros a minha frente ofegando e ver o quão lentamente suas lanternas deslizam. Com os nossos braços pressionados contorcemo-nos adiante nossos estômagos, como cobras. A passagem possui apenas um pé de altura alto, de modo que deve-se colocar seu face diretamente no chão. Senti-me como se rastejássemos por um caixão.” Foi sugerido que a arte achada nas paredes desta caverna representa alguma forma de magia ou cerimônia religiosa. 

O esforço que exige alcançar estas câmaras interiores ao menos elimina a possibilidade de uma expressão artística simples. Joseph Campbell considerou a câmara de Trois Freres, bem como toda a caverna, um centro importante de caçadas mágicas, que serviam a propósitos mágicos. As pessoas responsáveis devem ter sido altamente respeitadas e/ou magos habilidosos. Seja lá o que tenha sido feito nessa caverna, o fato é que seus registros apontam para cerimônias proeminentes, importantes e mágicas. Um dos trabalhos mais intrigantes de arte encontrados no período Paleolítico Superior, sugerindo a Espiritualidade humana, é a pintura conhecida como o Feiticeiro de Trois Freres. Um misto de animal com características de ser humano, o Feiticeiro obviamente representa algo além que a interpretação simples de um animal de caça. Os recantos escuros e fundos das câmaras e cavernas teriam propiciado situações ideais para os Xamãs. A escuridão e a experiência de isolamento dentro destas cavernas de labirinto teriam ajudado a induzir um transe hipnótico e visões de Xamanísticas Dentro dos recantos fundos destas cavernas em luz indistinta ou em escuridão total, o artista-xamã praticou a sua arte, sua magia, com a esperança de comunicar-se com os espíritos dos animais. Talvez estas cavernas serviram como centros para ritos de fertilidade, rituais de iniciação e ritos probatórios da maturidade, com "O Feiticeiro de Trois Freres" dirigindo as cerimônias. 

O que se torna claro é que as cavernas Paleolíticas como Trois Freres e Lascaux provavelmente eram centros de alguma importância espiritual. O trabalho de arte refletiu algo mais que somente uma representação do mundo natural, refletiram uma forma de simbolismo conhecido talvez somente pelo artista-xamã e para a sociedade em que ele trabalhou. Muitos foram os elementos xamânicos que estiveram presentes na crença espiritual dos primórdios da humanidade como a crença em um Ser Superior, de caráter celeste, em espíritos divinos, que intervêm na vida dos homens e em suas atividades, os transes extáticos, invocação e domínio do mundo dos espíritos. 

Os ritos destes primeiros povos eram na maioria das vezes do tipo socioeconômico (ritos de caça, de pesca, de guerra), notando-se a ausência de um culto especifico a alguma figura divina nomeada. Resumindo, podemos dizer que os primeiros grupos humanos não chegaram a um conceito claro da divindade, menos ainda a cultuar uma deidade única. A vida errante, a que foram compelidos pelas condições adversas do clima e pelas continuas lutas entre os grupos, impediram a elaboração mais refinada de suas crenças e o desenvolvimento de um culto específico. No entanto, nesse passado histórico são encontrados inúmeros vestígios de religiosidade na pré-história. Entre os Homens de Crô-magnon encontramos indícios de rituais religiosos como o sepultamento dos mortos. A religiosidade se manifestava nas principais preocupações do cotidiano e no nível de desenvolvimento dos povos. No período paleolítico (100.000 a 30.000 AEC), da pedra lascada, do predomínio da caça, havia a crença numa potência superior e a ela eram endereçadas ofertas para que, em troca, tivessem multiplicadas a caça e a prole. No neolítico (de 10.000 a 5.000 AEC.), iniciou a civilização urbana, com a vida sedentária, surgindo problemas de hierarquia social e administrativa e a religião se complexificou na mesma medida. A idéia de um ser supremo, que se esboçou no paleolítico, começa neste período a ser encoberta por uma série de entidades divinas, mais próximas do homem, representando as forças atmosféricas (o vento, a chuva, tão importantes na agricultura). Tanto na época dos caçadores nômades, como na dos agricultores sedentários, há uma vivência de um cosmos sacralizado. O mundo é vivido como algo  A Vênus de Laussel é uma estatueta da Deusa datada do período Paleolítico. Ela aparece com um chifre nas mãos com treze marcas, numa alusão aos 13 meses do antigo calendário lunar das culturas ancestrais. carregado de valores e significados. Assim, para o homem religioso, o Cosmos 'vive' e 'fala'. A própria vida do Cosmos é uma prova da sua sacralidade, pois ele foi criado pelos Deuses e os Deuses mostram-se aos homens através da vida cósmica e da natureza. Essa vivência parece revelar uma experiência de integração do ser humano com a natureza e uma disposição para conhecê-la. Provoca uma imagem de um ser humano humilde frente a extraordinária criação do universo e dos seus mistérios. Para o homem das sociedades arcaicas, tudo era passível de tornar-se sagrado. A vida humana se desenrolava paralela a uma vida sacralizada, do Cosmos ou dos Deuses. Os rituais não eram reservados apenas para determinadas ocasiões ou atividades específicas, mas envolviam atividades rotineiras como: as refeições, atos sexuais, cumprimentos, o acordar e o adormecer. A religiosidade foi uma maneira, a primeira talvez, através da qual, se construiu um conhecimento sobre os ritmos, ciclos e funcionamento do universo. Os homens primitivos tinham complexos sistemas simbólicos com correspondências micro-macrocósmicas como: a assimilação do ventre à gruta, das veias e das artérias ao sol e a lua. Um outro exemplo é a comparação da vida sexual aos fenômenos cósmicos como as chuvas e a semeadura, se dizia que as chuvas fertilizavam a terra. Na cultura primitiva, antes do aparecimento das cidades e das tribos, na cultura dos povos coletores, a religião servia ao principal propósito de garantir a unidade do grupo e a sobrevivência dos seus membros. Através dela, o homem dá início às reflexões sobre o mistério da vida, fomentada por uma comunicação mais intensa entre os grupos humanos. Na mesma época, surge o totemismo. Nas culturas tribais, as famílias se unem em grupos maiores para segurança e maior eficiência na caça, e, na religião, se incrementam os ritos de iniciação dos jovens. 

 Na medida em que a humanidade se desenvolve, a religião acompanha essas mudanças. Quando a população das culturas superiores cresceu, isso exigiu maior organização social, política e religiosa. A religião, então, passou a alcançar maior sofisticação para atender interesses coletivos incorporando então poderes políticos, por exemplo. 

MÃE DO TEMPO – ESTATUETAS PALEOLÍTICAS 

De todos os pensamentos e formas de culto encontrados na pré-história, o de uma Divindade criadora feminina, a Deusa, parece ter sido o mais central e desenvolvido. Estatuetas de Vênus é um termo amplo para um número de itens pré-históricos, principalmente em forma de estátuas de mulheres obesas ou grávidas, esculpidas no período Paleolítico Superior e achadas na Europa. Estão entre os objetos de cerâmica mais antigos já conhecidos. São consideradas por muitos estudiosos ícones da fertilidade e representações do arquétipo da Grande Mãe. Elas são feitas de pedra, osso, barro e foram descobertas perto dos restos de paredes das primeiras habitações humanas. Estas estátuas foram encontradas na Espanha, França, Alemanha, Áustria, Checoslováquia e Rússia e a maioria delas tem mais de dez mil anos. A Vênus de Willendorf é talvez a estatueta Pleistocena mais famosa. Esta pequena estatueta é representada com seios e nádegas exagerados. Esta figura foi feita na Idade da Pedra há mais de 20.000 anos e forma nossas impressões da primeira Deusa Mãe Primordial. O acento sexual nos seios femininos e nádegas é considerado, por muitos, um sinal de fertilidade. Estas estatuetas sem forma são predominantes nas esculturas Pleistocenas. Há mais de cinqüenta figuras deste período encontradas e entre elas somente aproximadamente cinco masculinas são conhecidas. Nem todas as estatuetas femininas são protuberantes e gordas, mas a maioria se assemelha a Vênus de Willendorf. É comum que a barriga e seios sejam desproporcionais. A cabeça e braços são demonstrados relativamente sem importância em relação ao meio do tronco. As coxas tendem a ser exageradas com pernas menores. As Deusas Primordiais do Pleistoceno só podem representar símbolos de fertilidade. O mundo Pleistoceno representa a mudança do Homo Neanderthalensis para Homo Sapiens. É um mundo que desperta com a arte das cavernas e expansão geográfica. Dois achados arqueológicos mais antigos também são categorizados como estatuetas de Vênus - a Vênus de Berekhat Ram, que data entre 800.000 e 233.000 AEC; e a Vênus de Tan-Tan, que data entre 500.000 e 300.000 AEC. Achadas na Ásia e África respectivamente, elas foram feitas de pedra em vez de cerâmica. Ambas estatuetas são muito ásperas e podem ter tomado a forma humana por processos geológicos naturais. No entanto, o Vênus de Berekhet Ram tem estriamentos sugerindo ferramentas e trabalho humano em pedra e a Vênus de Tan-Tan, possui evidências de ter sido pintada: uma substância gordurosa encontrada na superfície da pedra contendo ferro e manganês indica que ela foi decorada por alguém e usada como uma estatueta religiosa, independentemente de como tenha sido formada. As estatuetas das Vênus neste contexto podem ser vistas pela perspectiva animista da mente primária por meio de uma mentalidade que vê o mundo como vivo e entrelaçado com a vida humana. As figuras e as visões dos seres humanos e animais na forma da arte das cavernas fornecem uma ligação forte entre seres humanos e o mundo natural. As estatuetas Paleolíticas logicamente podem se encaixar nesta visão assumindo-se que elas eram parte de uma ênfase maior na fertilidade - seja tanto apontando ao aumento mágico dos animais, quanto a fertilidade humana. 

 Erich Neumann advoga que a Deusa é um símbolo da Terra por si mesma. Postula que a Deusa freqüentemente é retratada como se estivesse a se sentar. Ele tira suas teorias de imagens e figuras primitivas da Deusa que freqüentemente são retratadas sentadas em "tronos" como apoio para uma crença mais ampla de que a Deusa é um símbolo da Mãe Terra. Neumann também advoga que a Deusa Primordial pode representar uma montanha e ele fornece vários exemplos de figuras de Deusa associadas com montanhas em suas obras7 . Descobertas recentes mostraram que durante o período 6500 a 5700 AEC, a Grande Deusa permeava todos aspectos da vida de Çatal Huyuk, a mais antiga cidade que se conhece do período Neolítico, na Antiga Anatólia. Çatal Huyuk foi uma aldeia agrícola primitiva da Anatólia (Turquia moderna). Foi descoberta e escavada por James Mellaart nos anos de 1950. O povo de Çatal Huyuk especializou-se em produção de obsidiana, criação de gado, olaria e fabricação de cesta. O local data aproximadamente de 6.000 a 7.000 AEC e representa uma aldeia Neolítica relativamente grande para a época. A arquitetura inclui construções de casas domésticas e santuários. A imagem central da Deusa cultuada por este povo era a de uma mulher jovem, dando a luz e uma mulher mais velha. A Deusa era representada em santuários em imagens esculpidas ou pintadas na parede. Os touros representam outra imagem encontrada em santuários deste povo e foi considerada pelos estudiosos como sendo a imagem masculina do Sagrado, o Deus. Várias estatuetas masculinas foram achadas em Çatal Huyuk, mas a imagem da Deusa ultrapassa em número as figuras do Deus. A Deusa parece ter sido a única característica importante proeminente e foco da cultura naquela época. James Mellaart foi capaz de reconstruir muito da vida religiosa, econômica e social estudando as sepulturas, a organização de família, as fontes de sua riqueza, suas decorações de santuários e suas estatuetas esculpidas. Achou evidências de práticas avançadas em agricultura e estoque, numerosas importações e um negócio florescente em matérias-primas (como a obsidiana) assim como planejamento urbano arquitetônico. As imagens de Çatal Huyuk da Deusa retratam-na sentada num trono de felinos, como se ela estivesse voando no ar com seu cabelo fluindo no vento, como um abutre e/ou como uma flor. O nascimento era um tema central em muitas das descrições dos santuários. Na escavação, Mellaart interpretou os santuários como lugares de nascimento. O chão e paredes eram pintados de vermelho, uma cor dominante encontrada por toda Çatal Huyuk. Mellaart achou evidências de que o leopardo era considerado sagrado e pode ter sido a corporificação simbólica da Deusa. Num dos santuários, foi encontrada uma Deusa dentro de uma caixa de grãos, retratada no ato de dar à luz e descansando entre dois leões ou leopardos. Comumente este trono toma a forma de leões ou. Estas imagens formam parte da teoria base de Neumann, citada anteriormente, de que a Deusa representa Mãe Terra. Os leões, leopardos e chifres de touro freqüentemente são achados ao lado da Deusa, aos seus pés ou usados como ornamentos. Na maioria dos casos, a Deusa senta-se como se estivesse num trono. Anne Baring e Jules Cashford afirmam que "tais imagens da Deusa com chifres de carneiros e touros encontradas em Çatal Huyuk mostram afinidade com a civilização da Europa antiga mas também com cultura Minóica.” 

 A DEUSA E O DEUS: A INTERAÇÃO QUE CRIA O MUNDO, AS ESTAÇÕES E TODA REALIDADE MANIFESTA 

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Cosme e Damião 27 Setembro

  A história dos irmãos Cosme e Damião começa na cidade de Egéia, na Arábia, onde nasceram os irmãos, por volta de 260 depois de Cristo. Apesar dos boatos, não existem confirmações de que eram gêmeos. A família dos dois tinha fortes tradições católicas, que foram passadas a eles durante a infância e juventude.

Cosme e Damião, ainda jovens, decidiram estudar medicina e foram para a Síria, que, na época, era uma província do Império Romano, para iniciar a aprendizagem. Após diplomados, passaram a exercer atendimento à população carente das redondezas de onde viviam.

Os irmãos usavam a fé, unida aos conhecimentos científicos, como poder de cura. Como forma de caridade e amor, eles realizavam tratamentos para as pessoas que não podiam pagar. Para as crianças doentes, davam balas para a amenizar o sofrimento.

Os irmãos não cobravam absolutamente nada pelos tratamentos, mas tudo faziam com caridade e dedicação. A fama de Cosme e Damião despertou a ira do imperador Diocleciano, implacável perseguidor do povo cristão. O governador deu ordens imediatas para que os dois médicos cristãos fossem presos, acusados de feitiçaria e de usarem meios diabólicos em suas curas.